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Esporte feminino precisa de mais gestoras

  • Foto do escritor: De Frágil a Atleta
    De Frágil a Atleta
  • 5 de nov. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 19 de nov. de 2024


Tente pensar no seu time do coração ou em qualquer outra equipe que você conhece. Não importa o esporte, apenas reflita: quantas mulheres estão envolvidas diretamente com cargos de poder nesse clube?


É fato que, independentemente da modalidade, a responsabilidade de estrutura e organização ainda está muito relacionada aos homens. Existem alguns casos memoráveis de mulheres com destaque na função de gestoras, como por exemplo, a presidente do Palmeiras, Leila Pereira; a vice-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Yane Marques ou a coordenadora de esportes da Natação Unisanta, Rosa do Carmo.


Mas mesmo com esses exemplos, elas são a minoria. A decisão unânime do público feminino é que as mulheres deveriam ocupar mais posições de destaque no esporte, seja como técnicas, médicas, psicólogas, coordenadoras, gestoras, diretoras ou presidentes.


Na responsabilidade desses cargos, as encarregadas auxiliariam no desenvolvimento do esporte feminino em diversas questões, entre elas, numa maior compreensão das atletas, com 18% votos.


Diante de um ambiente amplamente dominado por homens, algumas mulheres no esporte protagonizam os denominados cargos de poder em grandes instituições. É o caso da ex-judoca e jornalista Danielle Zangrando, que por cinco anos, atuou como diretora técnica da Fundação Pró-Esporte de Santos (Fupes).


Pela função, é necessário lidar com cerca de 70 modalidades. Ou seja, a quantidade de pedidos, interesses ou conflitos que a diretoria lida é exorbitante. Segundo ela, o trabalho já era um desafio, mas o fator feminino em um ambiente masculino o tornava ainda mais difícil.


“É um cargo de liderança, que é difícil para uma mulher, porque você tem que impor as suas ideias. Conversar de igual para igual, ter muita liderança, firmeza, personalidade, porque senão, eles te engolem. E realmente, reuniões com 10 a 15 homens, e às vezes só eu de mulher. Mas nunca me intimidei, sabia da minha capacidade e que podia contar com pessoas extremamente capacitadas pra me ajudar”, contou a ex-atleta.

Inclusive, a ex-judoca cita os Jogos Olímpicos de Paris para exemplificar questões de igualdade. Até porque, a competição foi divulgada como os “Jogos da Equidade”, com a presença de homens e mulheres em 50% cada. Devido à ausência do número correto de atletas femininas, não foi possível confirmar essa paridade.


Mas, diferente de outros anos, a iniciativa da competição em integrar mais mulheres ao esporte serve como um exemplo de modelo a ser seguido com as competidores e possíveis gestoras.


“Hoje, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) tem um trabalho para isso, quando você olha para os cargos de liderança, a comissão técnica, por exemplo, ainda está bem longe disso. Então, eles têm um trabalho voltado para incentivar cada vez mais mulheres, e tem muita gente capacitada. Acho que as vezes o que falta realmente é oportunidade”, comentou Zangrando.


No quesito oportunidades, a gestora de esportes da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Maressa Nogueira, atua desde 2022 no desenvolvimento das habilidades de iniciação esportiva. Ela defende que para a formação de mais atletas mulheres, é preciso da capacitação dos responsáveis pelo esporte, além da possibilidade de novas oportunidades de trabalho.

 

“Quando você tem uma mulher nesses cargos, aumenta a representatividade. Porque ela entende quais são as barreiras e auxilia não só no desenvolvimento dessas atletas, mas contribui para o desenvolvimento delas, abrindo portas também”, comenta.

Segundo ela, para alcançar essas mulheres responsáveis pela organização do esporte, seja como técnicas, coordenadoras, gestoras, diretoras ou presidentes, é preciso abrir o leque de possibilidades nas contratações.

“Se a gente for usar só a nossa memória, os principais nomes que vêm à cabeça são de homens. Temos que olhar para essas mulheres em todas as áreas. Então, realmente olhar como uma opção e não só pegar aquele primeiro nome que vem na cabeça. A partir do momento que começa essa mobilização, que eles começam a ver os resultados, isso vai se multiplicando”, analisa.



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