O que elas pensam sobre mulheres e esporte?
- De Frágil a Atleta

- 24 de out. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 19 de nov. de 2024

É muito comum ouvir um “papo sobre esporte” entre amigos. Mas na maioria das vezes, são sempre homens que comentam sobre modalidades preferidas, campeonatos ou atletas.
A reportagem do De Frágil a Atleta decidiu investigar o que “elas” pensam sobre o assunto. A pesquisa contou com mais de 150 respostas de mulheres do meio esportivo, outras que apenas assistem às modalidades e ainda as que não têm o esporte como foco em sua vida.
O intuito foi abordar a intimidade das entrevistadas com o esporte, assim como quantas mulheres elas conhecem que sofreram algum assédio no ambiente esportivo, qual o esporte em que as atletas são mais sexualizadas e que nota elas dariam para a visibilidade da mídia do esporte feminino.

Com 76,3%, a maioria das entrevistadas acompanha algum tipo de esporte, enquanto 23,7% não. Porém, 61,5% das mulheres que responderam o questionário, não praticam nenhum tipo de modalidade esportiva olímpica. Entre as poucas participantes que praticam algum esporte, há destaque para a natação (7,1%), futevôlei (5,1%) e vôlei (4,5%).
As entrevistadas também foram questionadas sobre a possibilidade de incentivar suas filhas ou alguma outra mulher do seu convívio para o esporte de alto rendimento. Em sua maioria, 95,4% disseram que sim, enquanto apenas 4,6% comentaram que o incentivo iria depender da modalidade.
Caso as participantes respondessem positivamente à questão acima, elas seriam questionadas do motivo para incentivar uma mulher ao esporte.

O retorno positivo da prática do esporte para a saúde mental das atletas foi a vencedora da questão, com 18,8% dos votos. Embora, curiosamente, a saúde mental de atletas, tanto do sexo masculino, quanto do feminino, seja constantemente assunto na mídia.
Diversos casos como o de Diego Hypolito, Simone Biles, Rafaela Silva, Nilmar, Michael Phelps, Demar DeRozan, entre tantos outros, reforçam o tamanho da pressão que esses seres lidam todos os dias, em treinos ou campeonatos.
E essa discussão aflora ainda mais com a presença feminina no esporte, pois, normalmente, os atletas lidam com diversas adversidades e, no caso das mulheres, há a adição do preconceito, menor investimento, cobrança em relação à maternidade, entre outros. A psicóloga da Seleção Brasileira de skate, Juliane Fechio, comenta que essa depreciação é um estímulo negativo para as atletas, podendo atrapalhar o seu desenvolvimento e desempenho.
“O preconceito e a desvalorização que acompanham o esporte feminino, se apresentam como um estímulo de estresse. A resposta aos estímulos é sempre individual, mas uma pessoa que convive diariamente com eles e não desenvolve habilidades de enfrentamento, pode em longo prazo ter um esgotamento mental que trará possivelmente danos do desempenho e na saúde mental”, explicou.
Portanto, o apoio às mulheres deve ser baseado desde questões estruturais até o fortalecimento da saúde mental das atletas. Para que o desenvolvimento do esporte feminino seja positivo, a ajuda psicológica trás enormes benefícios.
“O atendimento psicológico desenvolve habilidades de enfrentamento, fortalecendo a autoconfiança, autoestima e favorecendo a gestão das emoções. Além disso, somos ponto de apoio, escuta e aconselhamento”, concluiu.
Perfil do público
Do total de mulheres entrevistadas, 48,1% tinham entre 18 e 21 anos, 18,6% 22 a 24 anos, 16% mais de 30 anos, 9,6% entre 25 e 30 anos, 3,8% mais de 40 anos, 3,2% 15 a 17 anos e 0,6% mais de 50 anos.
A maioria é residente da Baixada Santista, sendo Santos a cidade com maior percentual, 51,9%. No entanto, cidades de fora da região também foram citadas, como Campinas (0,6%), Pedro de Toledo (0,6%) e Assunção - Paraguai (0,6%).



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