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Sexualização acompanha as atletas e o público feminino dos esportes

  • Foto do escritor: De Frágil a Atleta
    De Frágil a Atleta
  • 24 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 19 de nov. de 2024


Ser mulher é viver diante de desafios. Ao longo dos anos, as atletas lutam por oportunidade, reconhecimento e, o mais importante: respeito. Porém, é muito comum ouvir nas mesas de bar e rodas de amigos que o esporte não é para a mulher ou que elas ficam muito “isso” ou muito “aquilo” quando usam seus uniformes.

 

É de conhecimento público que no ambiente esportivo, tanto as atletas quanto as telespectadoras passam por episódios constantes de assédio. Em arenas, clubes ou estádios, 34% das participantes responderam que conhecem mais de cinco mulheres que já foram assediadas. Curiosamente, a segunda maior quantidade de respostas foi a opção nenhuma, com 25% dos votos. 


Questionadas sobre experiência pessoal com algum tipo de assédio no ambiente esportivo, a maioria votou que não, com 46,2%. Seguidos pelo sim (28,8%), acho que sim (12,8%) e acho que não (12,2%). Além disso, as entrevistadas relataram que não desistiram de praticar o esporte por conta de machismo, sexismo ou outras razões (72,4%), enquanto 27,6% responderam que sim.

 

Quanto às modalidades nas quais as atletas são mais sexualizadas pelo público, a maioria citou o vôlei (34,1%). Entre as opções apresentadas, apenas 4,2% consideram que todos os esportes femininos sofrem de algum tipo de objetificação.  



Sobre a sexualização envolvendo o uso dos uniformes, 36,5% das entrevistadas disseram que já se sentiram desconfortáveis usando ou presenciando o uso de uniforme esportivo, enquanto 34% não. A maioria (38,4%) faz referência ao tamanho curto das peças.


Assim como no passado, o presente mostra que nada mudou e as atletas seguem sendo julgadas por suas roupas, ou neste caso, por seus uniformes, apenas como um objeto sexual para a satisfação dos olhares masculinos.


Segundo a especialista e professora de moda no Escritório de Moda e Arte (EMMA), Lizandra Alvarez, os uniformes devem ser aliados dos atletas, tendo foco no conforto, liberdade de movimento e melhor performance.


“As modelagens variam de acordo com cada modalidade, mas o foco tem que ser sempre o benefício esportivo. O design tem que ser pensado para facilitar o conforto e a liberdade para que eles possam exercer os movimentos necessários”, explicou.


Há modalidades em que os trajes não têm diferença entre os sexos, como o futebol e basquete. Porém, quando assistimos às partidas do vôlei, tênis, esportes realizados na areia entre outros, é possível notar uma exposição desnecessária dos corpos femininos.


“Historicamente, os uniformes femininos mostram que sempre houve um certo medo de que as atletas se parecessem com homens ou ficassem muito masculinizadas. Daí essa tentativa de garantir que os uniformes as deixem femininas e de uma certa forma atraentes para os homens. Essa imposição de certos uniformes revela a visão da sociedade sobre a mulher no esporte”, completou a especialista.

 

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