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Futsal feminino só foi oficializado em 1983

  • Foto do escritor: De Frágil a Atleta
    De Frágil a Atleta
  • 17 de nov. de 2024
  • 6 min de leitura

Atualizado: 21 de nov. de 2024

Boleiras ainda suam a camisa para ocupar as quadras de futsal


Luana Moura é jogadora do Taboão Maguns e da Seleção Brasileira de futsal (Créditos: Diego Alves)

Muito comum nas quadrinhas das mais diversas escolas do Brasil, o futsal tem tido grande representatividade nas últimas décadas, e é reconhecido pelos lances inspirados de suas jogadoras habilidosas.

 

A categoria feminina vem se popularizando, mas o processo foi desgastante, com períodos de proibição como nos anos 40 e 60, por força do Decreto-Lei Nº 3.199 e a “deliberação número 7”, respectivamente. Após a revogação dessas leis, em 1979, e a autorização e oficialização da prática feminina por parte da Federação Internacional de Futebol de Salão (FIFUSA) e do Conselho Nacional de Desportos (CND), em 1983, o esporte começou a trilhar seu caminho.

 

Desde então, a Seleção Brasileira de futsal coleciona seis títulos mundiais e atualmente é a heptacampeã da Copa América. Apesar de ainda não ser um esporte olímpico – mesmo que as jogadoras e torcedoras aguardem por isso – as mulheres do futebol de salão podem sonhar com um futuro melhor. Isso porque no ano de 2025, a Copa do Mundo de Futsal Feminino será realizada pela primeira vez na história.

 

Luana Moura

 

O esporte aguarda seu merecido crescimento, e o De Frágil a Atleta conversou com a jogadora Luana Moura, de 28 anos. Ala e fixo do Taboão Magnus, time do município de Taboão da Serra, na grande São Paulo, há nove anos, a atleta integra a Seleção Brasileira e foi artilheira na conquista da Copa América 2023, com oito gols.

 

Natural do Rio Grande do Sul, Luana começou a carreira profissional com apenas 14 anos no Female, Clube de Chapecó, por indicação de um olheiro. Suas primeiras inspirações para seguir no esporte vieram diretamente da sua família, que sempre a apoiou na prática do futsal. Mas, é claro, ele teve a jogadora l Marta, seis vezes melhor do mundo, como maior referência.

 

“Minhas primeiras referências foram dentro da minha casa, que sempre me influenciaram a jogar. E obviamente, a Marta, como rainha que ela é pra gente. Hoje no futsal a gente tem muitas referências, atletas que cresceram, jogaram, que estão na seleção e já foram as melhores do mundo. Também sou uma das que inspiram outras meninas, então sou muito grata a Deus pela oportunidade”, comentou.


Apesar de grandes nomes já despontarem no futsal, influenciando novas gerações a modalidade ainda enfrenta preconceito, por ser considerada eminentemente masculina.

 

Luana conta que na infância interagia mais com atletas do sexo masculino, pois não existiam escolinhas de futsal para meninas. Diferentemente de hoje em dia, onde o próprio clube da atleta e outras equipes da Liga Feminina de Futsal (LFF) proporcionam essa base para as novas gerações de boleiras.


“Hoje as meninas têm mais oportunidade do que nós tivemos. Então, a maior dificuldade no começo era a questão da escolinha. Fui ter minha primeira oportunidade aos 14 anos, e jogava praticamente com os meninos. Esse era o nosso primeiro desafio”, explicou.

 

Luana comemora um gol pelo Taboão Magnus (Créditos: Diego Alves)

Além da falta incentivo à base feminina por parte dos clubes na época, algumas frases do tipo “você não pode jogar porque alguém vai te machucar” ou “tem que ficar em casa pra ajudar sua mãe” faziam parte do cotidiano da atleta.


Esses e outros comentários sobre a fragilidade de meninas que decidem jogar futsal são muitos comuns, até os dias de hoje.

 

Mas segundo ela, graças ao investimento dos clubes da principal liga feminina do Brasil e a formação de atletas referência no esporte, o ambiente do futsal caminha para uma mudança positiva para as mulheres. Além de ressaltar essa transformação importante, ela faz um pedido.


“Quando decidi que seria jogadora, escutei muitos comentários no meu bairro. Acho que toda atleta de futsal já escutou, mas isso acontecia antigamente. A nossa realidade vem mudando. Hoje em dia, a maioria das pessoas nos conhece. Obviamente não é todo mundo, pois são alguns pontos do país em que o futsal vem crescendo. Até peço que, se em algum momento vocês escutarem algum tipo de comentário, tem que cortar e bater de frente. Porque existem clubes que trabalham sério, e é um esporte que pode ser praticado tanto por mulher como por homem”, expressou.

 

Mesmo com essa constante evolução da modalidade, o futsal entre as mulheres não é tão visado pela mídia. As transmissões ao vivo da Liga Futsal Feminino (LFF) se alternam entre BandSports, UOL, LFFTV – o canal oficial do Youtube da competição – e às vezes, até mesmo o SporTV. Porém, assim como em muitos esportes da categoria feminina, a transmissão, quando acontece, é restrita às fases decisivas dos campeonatos.

 

Apesar do futebol de salão ser provavelmente um dos esportes mais praticados do mundo, ele não é olímpico. Para Luana, a possibilidade de a modalidade integrar a programação de futuros Jogos Olímpicos pode alavancar a visibilidade do futsal, que disputa o coração dos brasileiros com o futebol.

 

“Nós ficamos tristes de não ter a mesma visibilidade que o campo. Mas torcemos para que um dia o futsal vire olímpico e quando isso acontecer, nossa realidade pode mudar. A gente praticamente não tinha nenhuma transmissão, mas hoje em dia existem as redes sociais. Para você assistir o futsal feminino, também tem que acompanhar o clube nas redes sociais do clube”.

 

Enquanto o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a FIFA não chegam a um acordo as jogadoras aguardam ansiosas a realização da primeira Copa do Mundo FIFA de Futsal Feminino, prevista para 2025, nas Filipinas.

 

Possivelmente na delegação brasileira que irá disputar a competição entre seleções, a atleta considera que os fatores “Copa do Mundo” e “FIFA” podem impulsionar a quantidade de transmissões.

 

Amarrando as chuteiras

 

Luana vê como “um motivo de orgulho” o desempenho das atletas brasileiras nos últimos Jogos Olímpicos. Afinal, igualdade de oportunidades, tratamento e visibilidade, segundo ela, é tudo que as jogadoras esperam na carreira esportiva.


“Sabemos que os homens recebem muito mais que as mulheres, e com o pouco, estamos mostrando nosso potencial. Caminhamos para chegar à igualdade, que é o que a gente mais quer. Como mulher, ver uma medalhista é muito gratificante.


Nós vemos seleções no futsal em que as meninas convocadas ganham praticamente a mesma coisa que o masculino. Então, precisamos disso. Ver mulheres conquistando medalhas olímpicas só nos dá gás para continuar”.


Chegar à Seleção Brasileira, segundo ela, alavancou sua presença nas mídias sociais, uma oportunidade para divulgar o esporte e mostrar às novas gerações como a rotina funciona, não só questões do dia a dia, mas nas dificuldades também.

 

“Não é porque estou em um dos maiores clubes do mundo que não passo dificuldade. Nós temos as lesões, o cansaço, passamos feriados treinando. É algo que se realmente as meninas querem ser atletas de futsal, elas têm que entender a realidade. Alguém às vezes me manda uma mensagem ‘Onde posso fazer um teste?’ Já vou e falo tal data no clube ou indicamos outros times. O que eu tento passar para elas é não desistir”, analisou.

 

Jogando pelo Brasil, Luana foi campeã da Copa América 2023 (Créditos: WP Assessoria)

Para o futuro, a atleta tem seus desejos. Visando a Copa do Mundo de 2025, ela quer estar na melhor forma técnica e física para que possa ajudar a Seleção Brasileira na conquista do campeonato. Além disso, Luana é formada em educação física e pretende seguir influenciando as novas gerações de boleiras como treinadora.

 

“Sempre penso muito grande, sabe? Quero estar na Copa do Mundo, mas acho que para isso, precisamos estar bem no clube, me cuidando diariamente e estando sempre em evidência, como chegar em finais e ser decisiva. E o pós carreira, penso em ser treinadora de futsal. Quero estar envolvida nesse esporte que já me deu muitas oportunidades na vida. Quero devolver isso para a modalidade, influenciando outras meninas que contam comigo”, concluiu.

 

Começa o jogo

 

O futsal, também conhecido como futebol de salão, nasceu em 1934 na Associação Cristã de Moços (ACM), em Montevidéu, no Uruguai, pelas mãos do professor de educação física Juan Carlos Ceriani Gravier. No início, o esporte era chamado de “Indoor Football”, que na tradução literal significa “futebol em espaço interno”, ou seja, em espaços fechados.

 

Essa nova modalidade chegou ao Brasil no ano seguinte, com os professores de educação física João Lotufo e Asdrubal Monteiro, que se graduaram no Instituto Técnico da Federação Sul-Americana como secretários diretores de educação física da ACM. Ao regressarem ao nosso país, eles introduziram o indoor football aos seus alunos, mas adaptaram o nome do esporte para o “futebol de salão”. 

 

 

 

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